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III

Alvaro Giesta

28/07/2021 01:41

diz mais a língua que escreve os versos do poema,
diz mais a língua que as palavras com que escrevo
os versos do poema. por isso quero um poema,
em que a língua que o ergue caminhe à frente
das palavras indicando-lhe o caminho ― as palavras
que vêm depois da língua com que escrevo o poema.
mesmo sãs e sólidas, as palavras nunca chegam
antes da língua com que escrevo o meu poema.
que o poema seja único; que use as sábias palavras,
mas diferentes das vulgares palavras que se usam
no vulgar poema. um poema em que a língua
se erga em dois sentidos opostos, e o seu fim
seja o mesmo na imposição do seu traçado:
no profundo solo onde busca a sageza das palavras
e no longe sol onde a língua encontra a luz e o saber.