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II

Alvaro Giesta

28/07/2021 01:45

pulsa o sangue nas veias do poema:
fez-se carne e fez-se corpo contra o tempo,
ao crescer de fora para dentro, para depois nascer
de todo o seu espaço interior.
ao poema que assim nasce feliz com a dor do parir
da mãe, nenhum poder já destrói a força do sangue
das palavras que o poema tem.
o poema traz nas palavras que o habitam, o segredo
das fontes quando anoitece.
traz a graça de um deus desconhecido que corre
nas veias do poeta; e o sangue fervente que se ergue
em tom de desafio contra o tempo e contra o corpo.
as palavras do poema são como um rio no beijar
das suas margens, onde se ergue a afirmação da língua
para no seu abraço maternal dar ao poema
a força que o poema tem.