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I

Alvaro Giesta

28/07/2021 01:51

as palavras, «giestas vivas», engravidam o poema.
é de noite e há silêncio. o poema nasce e cresce.
tímido, a princípio, consome-se com as palavras
que o erguem; umas, crepitam no aéreo movimento
rumo ao sol; outras, obscuras, atropelam-se na carne
que trepida com a força das marés do tempo.
tornam-se luminescentes quando nascem de dentro
para fora. o poema ainda jovem tem-se, devagar,
nas frágeis pernas; em breve já gatinha ― a medo,
primeiro, depois com passos hesitantes ergue-se
e resoluto caminha até onde o silêncio se extingue.
aí se forma a voz incandescente do poema.
ergueu-o a mão inquieta procurando na profusão
das palavras, aquelas que incendeiam
(como a febre na fronte) o desassossego das trevas
que buscam no silêncio a sua própria voz.