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Homenagem ao mar

Edilde Lima de Aragão

12/10/2014 01:23

Adoro-o, mesmo “inconstante”
Segundo o afirmam os poetas.
Mas não quero que entristeças,
Nem que soluces de dor.
Garanto com experiência,
Que todo poeta mente.
E isso não passa de arrimo
Pra rimas de trovador.

Pois bem vês, que é na praia,
Que infeliz e apaixonado,
Magoado e desgraçado,
Vai te contar seu amor.
E em te abrindo o seu peito,
Afogas as confidências
E as sepultas discreto
Nas areias do teu leito.

Deus, se ouvindo os poetas,
Quisesse te transformar,
Pra com tuas águas paradas
Seres chamado constante,
Iria te batizar,
Ou então mudar de nome:
Serias rio ou lagoa,
Serias lago e não mar.

Não gosto que te maltratem.
Pois se a lua prateada,
Com o feitiço dos seus raios,
Vem tuas águas dourar,
Para mim tu és sagrado,
E chego até a jurar
Que tudo o mais é mentira.
Calúnias, a ti, oh! mar.

Pois és tu, oh! mar imenso,
Confidente dos que sofrem
E em noites de tempestade
Vais contando teus queixumes
A gemer e a soluçar!
Mas somente os sonhadores
Que escrevem as suas dores,
Entendem-te, oh! verde mar!