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Hei de entrar na tua tarde

Leonora Rosado

09/04/2018 01:14

Hei-de entrar na tua tarde com a ferocidade dos cílios
Hei-de abrandar o passo
Seguir-te num diálogo de sombras
E furar uma a uma cada sílaba dos teus poros
Hei-de vir com a chuva e com os gatos
Que se estreitam na tua garganta
Perder a luz dos meus cabelos
No odor da terra molhada
Sentir a oscilação das telhas
Que não abrandam o vento
O recorte indefinido no espelho
Numa tarde muda hei-de tocar
À tua porta
Como um pessegueiro sem ramos
Aflito de pássaros
Há lume nos versos
Vá aquece-te