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Gratidão

Maria Oliveira

17/09/2019 01:04

As ações escondem os ímpetos dos medos e as variantes dos soluços
Onde a esperteza do diabo da Tasmânia arrasta as crias
E prepara o terreno para rasgar as vísceras dos rebanhos
Mal orientados por um lobo com disfarce de cordeiro
Surgindo a palavra oca sem sentido ignorante sem agradecer
Porque a criatura glacial e calculista sofre de limitações sem se aperceber

A tolerância ausenta-se para o plano virtual do esquecimento
Os abraços transformam-se em apertos de anaconda constritora
E o pássaro que devia ser alado bem tratado e amado
Refugia-se no estado de amnésia sem ter a ideia de obrigado

A gratidão é espezinhada entre quatro paredes
E o que resta é a criatura irada que pontapeia certeira
Os que não obedecem à sua patológica cavaqueira
Enlouquecida permanece foragida apenas e sempre
Na mortal ornamentação esquecendo-se da genuína celebração

Os beijos ficaram aprisionados nas gargantas inflamadas
O discurso de alegria e plenitude altera-se
Em gritos de escarros em uivos de fera ferida
Com vontade de aniquilar tudo e todos os seres julgados inferiores
E esmurrar até com despeito a própria madrasta em que se tornou a vida

Carrego uma carga preciosa que tenho de entregar
Diretamente no coração dos tresloucados
De cérebros apertados que mordem a mão que lhes dá o pão
Tatuados pela ausência de um amor genuíno
A gratidão que acalento gera a rebentação dos botões das rosas
Planta árvores generosas mesmo no deserto sem alento
Semeia campos de cereais alimentando os famintos
Porque a atração pela existência carece de carinho e envolvimento