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Glosando versos de Álvaro de Campos

Leocádia Regalo

02/07/2020 02:27

O que há em mim é sobretudo cansaço –
um doce cansaço que me assola a razão
e me deixa ancorada a outra mansidão.

Acordas-me os sentidos com torrentes
amenas de espirais de espanto
que me invadem o ser.
Fazes-me teu berço teu regaço teu seio
onde embalas os olhos vidrados de encanto.

Sorves-me a alma sem defesas
em compassos marcados do teu coração.
Tens-me num arco-íris de surpresas
em cores precisas de funda emoção.

Há sem dúvida quem ame o infinito
quem aspire ao limite da plena evasão
quem mergulhe fundo na sua ascensão.
Mas eu detenho-me nesse teu abraço.

E deixas-me este sereníssimo cansaço
íssimo, íssimo, íssimo,
cansaço ...
Pura gratidão.