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Geometria emocional

Maria Oliveira

17/09/2019 01:08

Há uma floresta densa e verdejante que me perpassa o corpo
Amadurecido por entre os pantanais do alheamento
Enquanto o atordoamento me abana a nudez e me faz expulsar o grito
Pela garganta ferida ardendo até ao âmago do ser projetado no firmamento

Esta selva onde me agito consome os membros cansados
Que pedem o epílogo na serenidade de um lago azul
E o suor que se arrasta na corrente de um ribeiro
São lágrimas que alimentam lírios roxos que se abrem ao sol

Dispo-me milhentas vezes dos trapos enquanto os farrapos
Esvoaçam nas janelas das casas abandonadas
Onde outrora viveram seres felizes e animais domésticos
Que se estendiam calaceiros sobre a erva
Na sombra generosa dos pomares por onde se abriam raios poéticos

Agora o pó sobrevive ao tempo dos camaleões
Enquanto os ossos se desfazem sob a terra enrijecida
Pelo calor do barro ressequido e atordoa o ser demente
Baralham-se o antes e o depois e as laranjeiras revoltam-se
Contra os chupistas que esbanjam o sumo e destroem a semente