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Falam-te estas mãos

Leonora Rosado

27/04/2021 21:39

Falam-te estas mãos
Do todo o que não sabem
De violetas e acendalhas
Do lume inquieto que respira nos teus olhos
Da sua sede vertiginosa
Sugando lastros de sombra
No beirado das silvas
Falam-te da curva das horas
E da espiral de silêncio
Que a cal do rosto mastiga
Falam-te estas mãos
De serpentes e fábulas
Do que lêem na sôfrega prata da lua
Falam-te e percorrem-te
Sob cinzas e pedras
Sob a urgência erguida na janela
Desta manhã de fios e enleios
Falam-te estas mãos que ao calarem-se
Sussurram versos e gritos
Murmuram sinos e lobos
Uivam sinistras sílabas e nunca esquecem