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Entre o silêncio onde atracam barcos e estrelas

Dalila Moura

19/12/2018 01:33

Guardámos em nós um silêncio
no qual desejámos acreditar,
pensando eternizar a inocência das palavras não ditas,
das palavras que não nascem do pensamento
mas da forma de amar.
Tudo mais que disséssemos cairia na noite,
da mesma forma
que o vento cai sobre o silêncio.
Esse resguardo, onde apenas
conseguimos ouvir o timbre do mar,
como um soluço feito voz,
nas águas que aguardam o canto de sereias
– que se afastam –
depois da chuva que amordaça as marés.
Sabemos que esse vozeio
alastrando entre vagas sacudidas por caudas ardilosas,
não é mais
que uma canção – de encanto perante o pranto –
Assim, guardámos o silêncio - aquele que desacreditamos -
entre espumas ceifadas por remos e velas que as percorrem
como se cada tempestade sacudisse o céu e, num lamento,
a chuva ardesse em declínio, tombando em torrente,
lavando
o nome que não cabe na palavra.
Ah! O silêncio… guardado e indecifrado!
Fez-se noite, tão de repente… e nem sequer é lua cheia.
Apenas entre o luzeiro (onde atracam barcos e estrelas)
o silêncio tem espaço
Para descansar!