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e um rosto de anjo sobre um mar de fonemas

Isabel Mendes Ferreira

01/06/2015 01:55

e um rosto de anjo sobre o mar de fonemas fazia-te ser tão
particular quanto uma vogal em ressalva da água. em rigor
não és Aleph iniciático. antes o final. rotação de fragmentos
em resistência à matéria e à abundância do eco a cada
momento em que me respiras. digo-te assim porque sei
que me lês com alma antiga e confessadamente isolada. na
subida à garganta mora um posso não posso um devo não
devo um abismo e uma culpa. que não temos. andam anjos
à solta no território dos demónios. afinal suspiros líricos e
ágeis sobre todos os nomes. que não nomeamos. somos um
passo de tigre e um lago que é cálice. uma mão estendida à
deriva da luz.
santo. santo o cortejo da coragem. essa sim rainha
sem rosas. mãe dos espinhos que invade o tempo e o faz apenas
hífen.

(in o tempo é renda, p. 26-27)