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Isabel Mendes Ferreira

04/12/2013 17:20

e um dia o mar que foi origem da tua mão no meu ombro veio desfazer-se em olhos tardios. olhos com pestanas de sangue cognitivamente anunciadores da paralisia do futuro. um moinho de conflitos trágicos a ser excesso de fardo na divina ciência dos teus dedos indicadores do fim. e um dia a carne farisaica entrou ressurrecta no teu bolso de alquimista do vento. símbolo de um passado morto aos pés de ...uma escada descendente. que nunca subiu os passos dos amantes . era a excelência dionísica de um seio novo a amamentar a imortalidade. mesmo que por um só momento. foi assim o mar que devolvemos ao fundo de todos os fundos. de onde se volta nu e degolado. sem destino outro que não seja a morte. e um dia o mar efémero dos teus olhos fez-se eterno na terra do nunca. lá onde o sagrado é origem e verbo irmão da memória amordaçada. um fósforo. uma campânula. uma ressonância madura de monstros e de anjos. lá onde os pássaros explodem serpentinamente. e tu não me vês.