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Diário de Bordo VIII

Dalila Moura

28/03/2020 02:59

O mais útil que fiz nestes dias, de isolamento forçado, foi “mergulhar” as mágoas num tanque de água. Algumas tentaram vir à tona! Voltei a mergulhá-las! E deixei-as ficar, até dissolverem completamente! Entraram em convulsão e colapsaram.

Olho as águas e observo a transfiguração. Vejo uma estrela, a riscar o tempo, mensageira de luz e de esperança. Ela que ilumina o meu peito na quietude translúcida que me incendeia a vida. Surpreendo-me nessa incandescência e dou por mim a pensar, que na realidade, os anjos existem! Alguns sempre viveram por perto e desconhecíamos. Beijam-nos em silêncio. Cobrem-nos com asas de azul e sol.

Hoje tento saber das cores dos pássaros, sem me preocupar com a vertigem dos voos. Repouso o olhar e a alma. Recolho sedimentos de esperança. Entre o invisível e o assombro deixo a luz a cintilar. O tempo é um pêndulo a gravitar nas várias órbitras, num movimento ascendente.