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Dia dos namorados II

Isabel Pereira Rosa

09/04/2018 01:21

Não havendo quem me quisesse amar,
Abracei o poema
E ele fez-se sangue.
Fundiram-se as palavras
No vermelho coruscante,
Ilegíveis como qualquer amor.
Abracei de novo o poema
E ele fez-se vinho.
Escorreram-me as palavras pela boca,
Cambaleantes,
Ébrias como qualquer amor.
Dessedentada, mas ainda faminta,
Mordi o poema e então
Ele fez-se pão,
Quente e sólido,
Como o amor com que sonhava.
Afinal, o amor era o poema
Feito sangue, vinho e pão…
E foi então que a porta se abriu de par em par
E ele entrou alvoroçado e abissal,
Despido de palavras.