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Dai-me uma manhã nova para escrever

Alvaro Giesta

17/08/2021 02:16

Dai-me uma manhã viçosa na terra livre
e insubmissa
para escrever as coisas enigmáticas que saem
desta minha sã loucura, misturada com laivos
de eterna primavera. Eu quero escrever
o grito marítimo da gaivota que voa livre
nas madrugadas íntimas de todas as longas noites:
― ímpias são as noites, secretas e tenebrosas…
façam das negras noites eternos e claros dias.

Quero uma manhã virgem incendiada de sã loucura,
uma manhã com o cheiro a terra molhada para cantar.
E o silêncio criador que em mim demorado seja
e me procure como semente inventada para nascer;
e cresça de mim o poema como o fogo fecundado
e a água inicial que da nascente corre pura.
Que minhas mãos dessa água sempre cheias,
teçam um novo estio e inventem o próprio rio.