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da maior ferida ou insensibilidade

Isabel Mendes Ferreira

19/12/2018 02:23

da maior ferida ou insensibilidade ou da incapacidade de inventar a pérola
ao lado de um espinho caído. a compaixão vive do sentimento de não nos
julgarmos o centro do mundo mesmo quando é imensa a tentação de nos
pensarmos únicos na incompleta diferença de uma agulha directa à garganta.
e
começamos a envelhecer quando inventariamos as dores as memórias a
esquadria do coração e dos pulmões e da garganta e das mãos distorcidas
pelo gesto de transformar o disforme em estrelas ou em vésperas de
afogamento voluntário. começamos a beber o passado e a ancorar nas
ausências o macro antibiótico da sombra em machado de granizo sobre os
cabelos. envelhecemos quando a porta à nossa frente já é inconciliável com a luz e resta apenas uma língua morta para escrever adeus na bainha de um vestido apertado. e fica entre os outros o ouro do outro futuro que de nós nem o nevoeiro. talvez o crepúsculo seja o vôo possível e a nobreza do perdão.