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Cruzaram-se os ferros em linhas até a morte

Dalila Moura

16/05/2018 01:52

Cruzaram-se os ferros, em linhas até à morte
Calcetada na crueldade nua, marcha agitada
Na lentidão dos pés onde agonizava o dia, feito noite
Na combustão dos corpos onde o medo deslizava

E as bocas moribundas gemiam em silêncio, rente às botas
Dos algozes que trespassavam a agonia, na impaciência
Crua do gás que atravessava a passagem do inferno às divisas
Do céu. Bruscamente a noite dissipou-se, arriscando-se ser luz

Onde o amor se uniu ao vento e às alfazemas que bordavam
A exaltação, no vozear de crianças e anjos que bebiam em taças
De ventura, os restos da pérfida amargura rescendente do vinagre

Putrefacto, em cálice de perfume inalado na música da surpresa
E flor branca, em véu descansado em voos e travessias na arte
Que o sol esculpia! Uma harpa tangia a claridade, disseminando
[as feras!

(In No fio da memória)