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Contrato

Maria Oliveira

04/03/2018 03:06

Contrato

A liberdade vive calada e surda
Nas entranhas do homem que se vendeu a troco de iguarias
Riqueza podridão de fanatismos e fantasias
A patologia singrou e sangrou os corpos dos criativos
Acorrentaram-se na masmorra mais sombria
E abafando a voz cortaram as mãos
E verteram os sonhos mais gloriosos
No submundo das trevas
Enterraram bem fundo os genes
Das probabilidades em potência
Da vida da celebração
Da ligação fundamental ao cosmos
Onde as moléculas se agitam entre novos seres
Outras vontades renovadas em múltiplos pareceres

O pacto caiu em desgaste
Enriqueceu os poderosos os corruptos
Os materialmente ambiciosos
O contrato social permitiu a descrença na humanidade
Fabricou políticos despóticos
Ditadores dissimulados
Explorou as crianças profanou as mulheres
Chicoteou os indefesos e tornou amarga a existência
De quem possui todo o acesso
À partilha da natureza pela essência

O contrato social tornou-se o bilhete para um campo armadilhado
Onde só o assassino é condecorado
E as toupeiras minam o chão que os inocentes pisam
E aos famintos retiram-lhes o pão

A segurança fez pacto com a utopia
Porque o sentir da esperteza saloia da raposa matreira
Derruba os nobres de coração e enaltece os traiçoeiros atrozes
A sandice é inimiga da justiça quando há um tirano
Que se levanta e manipula uma multidão alienada
Que em estado patológico não tem força para o impedir e não faz nada