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Complexidade helicoidal

Maria Oliveira

22/04/2017 03:09

Complexidade helicoidal

A simplicidade esvoaçou ingénua
Por entre os jardins da beleza Apolínea
Enquanto os olhares famintos do mundo faiscante
Seduzem as libelinhas fazendo razia
Ao espelho sem hélice
Apenas o pesado besouro intruso se prepara
Para a dança da sedução das espécies
Batendo asas num frenesim folclórico
Juntando-se aos demais insetos
Alheios ao invisível remoinho
Onde a folhagem se eleva em furacão
Brincando com os pássaros que nidificam indiferentes
Ao movimento das pás no topo do moinho
Construção de insurretos em constante gestação

A simplicidade riscou então o fósforo do descontentamento
Arrepiou-se numa mistura de horror e prazer
Cavou mais fundo descobrindo o labirinto intravenoso
E em subsolo de estranhas epidermes
Depositou os ovos em campo cavernoso

A simplicidade diluiu o novelo desfiado
E seguiu o fio até ao infinito num eterno recomeço
Descobriu então que se equivocara pois um avião no ar
Precisa de complexidade para ficar parado

Foi então que a complexidade explodiu os corpos
Os estratos os excertos e extraiu-lhes o gemido do espanto
Da estranheza da fealdade da falsa certeza

A complexidade derrubou os muros
Inundou as cavernas da podridão e enleou em espiral helicoidal
As raízes das árvores nos pedregulhos dos deuses
Desfazendo em pó o que era rochedo
Aplanando o que era montanha
Fazendo brotar água onde era deserto mas enganou-se
Estava longe do sagrado pensando que estava perto!