Para visualizar este site, favor habilitar o JavaScript no seu navegador.

Como pão acabado de cozer

Isabel Pereira Rosa

28/09/2018 01:27

A poesia está cheia de auto-referências porque, nela, o real é a
própria linguagem, mas talvez também porque o exercício
metapoético é, não só, uma reflexão sobre a palavra, mas também
sobre o que ela nomeia. Como pão acabado de cozer:
O poema crepita
enquanto o fogo não se faz cinza;
o poema arde devagar
e a palavra coze nesse lume brando
que tem o poder de poder não o ser
e não ser poder;
o poema deixa de crepitar
quando o forno se apaga,
mas entra na boca ainda quente
como pão acabado de cozer.


Poema e "escultura" de Isabel Pereira Rosa
com a colaboração do escultor Carlos Oliveira