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Círculos, rosas e mar

Dalila Moura

10/10/2020 01:49

Às vezes entretenho-me
a desenhar círculos na sombra da manhã.
Deixo neles um ponto cor de sol a seduzir o dia
– um vidro ou um cristal –
Depois de reluzir na chama da hora,
ninguém sabe de que matéria é feito
o fogo que me arde no peito.
Quando o sol tomba na tarde
já um vitral se ergueu rasgando o círculo
e não me espanto com a nudez da noite
que caminha por entre as roseiras
onde as rosas adormeceram.
Há um ritmo que dança na repetição do luar
e no orvalho dependurado nas pétalas.
Acedo à luz: a mesma que já foi sol e agora transpira,
agarro nas asas que esperam do lado de la do círculo,
subo pelos cabelos do vento, prendo-me neles
e vagueio até ao local
onde as escamas de peixes acordaram.
Tudo é mar! Agora já posso adormecer!