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Carreiro íngrime

Maria Oliveira

25/03/2022 01:11

Mastigam-se a custo os cardos feitos de contratempos e inseguranças
Os prazeres sufocam cerrados no baú secreto em lugar incerto e pulveroso
Abundância não vive no meu tempo de vida neste mundo
Mas que carreiro é este que me magoa os membros de piso escabroso
E ameaça a todo o instante a queda deslizando sem controlo até ao fundo

Os obstáculos que ultrapasso provocam a miscelânea da ruína
E o triunfo que obtenho transita pela névoa em substância neutra
Que me suaviza os dias persuadindo que sou ser sem idade
Apenas um corrupio de vocalizações automáticas de ansiedades e esforços
De subidas e descidas de escorregadelas e deslizes
Mas prossigo o ascendimento ignorando para que local me dirijo
Este caminho íngreme de terra onde rolam pedras por entre buracos
Provoca-me o cansaço asfixiante do calor do deserto por entre cacos

A mão que segura a minha é de alguém que conhece e ampara
A minha dificuldade de locomoção em terreno escorregadio
Os passos são incertos e o pó levantado na subida deturpa a oração
Dá-me acesso a uma panorâmica vertiginosa em movimento
Transformada em descerramento para renovadas visões e conhecimentos
Talvez penúria ou abundância ao longo da empreitada em processo lento de elevação