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Às vezes estremecemos

Dalila Moura

28/09/2018 01:47

Às vezes estremecemos
como se o vento gritasse o silêncio
entre os cabelos e a chuva
que penetra nos olhos!
Inclinamo-nos na margem do tempo,
no lugar onde a travessia
se inclina e as mãos escorregam,
como se de musgo os dedos fossem paridos
e a corda bamba dos dias se elevasse para lá do espaço
onde a dança dos pássaros se abre na direcção das árvores.
Estremecemos! Segredando às estrelas o delírio
que vai queimando no peito
enquanto as flores se dispersam entre o vale e o rochedo
e a fonte vai gemendo gota a gota
o silêncio que jorra e alaga a terra.
As pedras adormecem!
Entrecortadas de verde e pó respirado.
Caem sombras na noite!
Um caudal de mistérios e fantasia!
Erguem-se as mãos
sobre os cabelos despenteados de neve e breu
e soltam no ar o corpo. O coração não se esvazia.
É um fruto vermelho
que levita. E estremece nos círculos da chuva…
Caminhando e respirando na cadência da água.
Iluminando o Infinito!