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As flores

Edilde Lima de Aragão

07/07/2016 23:23

As flores

A rosa tão perfumada,
Que sempre enfeita os salões,
É a imitação da vida.
Tão linda, tão delicada,
Tem coberto de espinhos
O talo onde é erguida.

Eu acho que o cravo branco,
Por seu perfume e beleza,
Merecia um monumento!
A sua pureza é tanta,
Que adorna buquê de noiva
Em dia de casamento.

Se o malmequer falasse,
Tinha muito o que falar
Da história dos amores.
Dotado de um privilégio,
Para definir a sorte,
É única entre as flores.

E o grande girassol,
Bem cedo, ao amanhecer,
Mira o astro rei que surge
A iluminar os céus!
Virado para o poente,
Continua reverente
A adorar o seu deus.

Triste e débil, a violeta,
Tão minúscula e perfeita,
Para ela ninguém corre.
Desprezada no canteiro,
Chorando sua viuvez,
Ela nasce, vive e morre.

E a mimosa madressilva,
Com seu perfume agridoce,
Nunca pode estar quieta,
Gosta sempre de enramar.
Na vida faz benefícios:
Serve de telha às latadas,
Que abrigam os namorados,
Nas noites enluaradas.

Dizem que a saudade-roxa,
Que sempre é tão desprezada,
– E pra mim é a mais nobre –,
Dá peso e tira a sorte.
Repudiada na vida,
Nos acompanha ao sepulcro,
É fiel até a morte.