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As convulsões do mundo

Maria Oliveira

12/03/2019 01:46

Os espasmos do mundo assemelham-se
Às contrações do ventre mãe dilatada
De amor erguida impregnada
O bisturi que avança que corta e alcança
As vísceras do ser mesmo em esperança
E é a mesma fonte que a Terra retalha
Dá as cartas abraça traça e baralha

O fogo etéreo combustão lenta
Que todas as criaturas frequenta
É o mesmo que explode
Com as estrelas mais vistosas
As galáxias mais imperiosas
E neste acontece que endoidece
O pânico instala-se nos neurónios
Da separação das catástrofes

A fissura a rasura o rasgão que cria a cisão
Expressa o bafejo do desgaste
E o homem corsário utilizando o que não é seu
Foçando apedrejando explorando
Em inconsequente parasitagem
Qual adolescente entusiasta
De promiscuidades viciantes
Do lucrar sem nada fazer nesta viagem

Eliminam-se os desperdícios
Abrem-se e tapam-se orifícios
Solda-se a tecnologia salvadora
Paradoxalmente repressora
Os campanários transformam-se em intrusão
E por truques de magia ilumina-se a fusão