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Apenas almejo o sossego

Isabel Pereira Rosa

13/11/2017 01:48

Apenas almejo o sossego

Apenas almejo o sossego, o calor, um sopro suave de serra ou mar,
ainda que possa ser cansaço e febre – cobra mansa serei – quero lá saber,
a meio caminho da dissolução.
Mas para vós, que mal ganhastes forma, e em quem todas as células gritam
por ampliação ou por fusão,
para vós, que tendes por berço o longo caminho do mar,
para vós, que mal vislumbrais um amanhã
e para vós, que ireis talvez visitar o meu passado
em folhas amarelecidas ou rasgadas,
quero tudo e por tudo luto com o que tenho: a vontade e o verbo
– por vezes a palavra gera a ação.
E assim será enquanto este sopro
se não apagar
e este sonho viajar do coração para a cabeça
e da cabeça para o coração.