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A(mar)

Dalila Moura

09/04/2018 01:59

No mar há dias de espuma e de montanha
onde as pedras vão beber restos de algas e marés.
Há instantes azuis, onde as nuvens sustêm o peso
de luas e archotes, onde os barcos se afogam, à noite,
quando a chuva se derrama sobre o sal inquieto,
e ondas sobrevivem à fúria do vento.
Depois, crescem árvores no sopé da montanha,
são vida e geram frutos, onde os rouxinóis vêm
debicar. Deslizam luas sobre os ramos quase adormecidos,
os barcos velejam, no branco içado das velas.
À beira da praia, só caminham os teus olhos e eu,
corro por entre as perdas forradas de musgo
e aguardo. Ali, no local exacto, onde o sonho sobrevive!