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adezembrando

Isabel Mendes Ferreira

20/12/2014 22:53

adezembrando
decidi que morro hoje que é dezembro e morro não
como as árvores que gráficas sustentam o céu. morro
para dentro de um movimento desagregatório onde o
eu e o tu são cumes altíssimos ensombrados de visitas
tardias. nada de diferente nem sequer a diferença no
seu alargar de sinais. são as sombras. elas sempre. elas
muralhas imateriais resplandecentes de negrume como
sangue oleoso. desço a mais interna das palavras e subo
ao regaço do sono. lenta. lentamente. sem permutas
frásicas nem ombro a ombro com o sempre dito e
perseguido. as ilhas são de chumbo. o chumbo é frio.
o processo de liquidação do sonho é como um animal
ferido mas sangrante até à batalha final. e mesmo que o
sol volte a ser autêntico nunca mais serei outra. senão
esta morte dezembrina do entendimento da solidão