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Adeus e depois

José Rodrigues Dias

07/03/2014 18:30

De um adeus
de caminhos opostos
o resto ainda
de uma centelha viva
ainda que ténue a réstia de sonho,

o encontro
no outro lado do mundo
de reencontros,

pois todas as rectas
mesmo que não paralelas
(das paralelas há muito que o sabia)
depois se encontram um dia
(talvez lá num ermo longe,
num infinito talvez…),
e já nem falo das curvas,

pois a luz dos caminhos
segue os contornos da terra
e a terra que antes parecia plana
é, afinal, redonda
como os grandes oceanos
primeiro circum-navegados
em águas turvas,

e redonda é a terra como os olhos
e o cérebro
mesmo que olhando
para um lado só,
teimando como burros ainda mamando
ou já velhos
cansados talvez da carga
ou talvez do dono
sem dó…

Mas mesmo nesse lá
longe
ou lá onde for,
o reencontro de caminhos
concretos de pedras já buriladas
ou talvez todos esfumados apenas
em lembranças
de alegrias e penas…

Pergunto-me, então,
se ainda se reconhecerão
olhando-se
em cada funda ruga…

Pergunto-me, ainda,
se na tese
e na antítese
dos seus caminhos
(agora) não se perguntarão
se não terá sido uma fuga
primária a sua,
mútua ou não…