Para visualizar este site, favor habilitar o JavaScript no seu navegador.

A ternura escorre na canastra

Dalila Moura

29/01/2018 01:56

Os barcos acordam por entre os cabelos de luas movediças,
e sopram ao de leve, sobre a cortina do mar.
Na proa, há um vulto: de carne e osso e olhos vazios,
procurando um pretexto para desamarrar
o fio que prende a pele
e a espuma,
ao mesmo tempo que o voo das gaivotas desaba
e a manhã explode,
suspensa no céu,
roçando o azul e a prata da maré!
O ar atravessa o pontão e confunde-se com a salmoura
que se espreguiça na água,
enquanto os peixes bocejam.
- Lançar redes!
As nuvens, não se cansam de soltar os pássaros
da cabeceira!
E escorre ternura na canastra onde o cansaço
adormeceu!