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Isabel Mendes Ferreira

21/02/2014 17:34

a névoa a desaparecer nos olhos de inês. dez anos foi pouco tempo Pedro para o que não vivemos. ajudas-me a acender um cigarro? agora as minhas pernas são de cimento mas ainda tenho um pulmão. aquele primeiro beijo foi o carteiro a passar e um comboio sem estação. não me desdigas. andámos juntos em todas as cidades cruzámos o perímetro das esperas e dos recuos dos silêncios e dos diálogos a meias com a distância e viajamos à roda da vida como em primeira opção depois de um longo poço de lágrimas. sim Pedro digo.te agora daqui desta cadeira de rodas que me acolhe o teu braço sempre longo presente e cheio de lírios brancos. ouves aquele mar ali? como uma rede a ser vigília?_________és tu.

vibrante. e sólido. uma espécie de cantor do eterno.

dez anos é muito pouco tempo para aprender a esquecer. fica escrito na obediência epistolar que o fogo e a chuva ainda adormecem à nossa porta.

ajudas-me a levantar? sim. ainda vamos a tempo de todas as paragens serem retorno.

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in "diálogos de Pedro e Inês"-