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A mãe é o fogo da comunhão da casa

Alvaro Giesta

17/08/2021 02:03

A mãe, ungida, substancialmente pura,
elixir necessário à invenção da ‘noite clara’,
ergue-se devagar como um farol a indicar
o caminho ao filho
― como se fosse ao navegante perdido ―
que trilha as tortuosas asperezas da vida.
Desde o princípio ao fim, é o fio exímio
que traz a leitura da casa em pé.
Do excesso das suas entranhas, sai
“segundo as redacções de Deus (o mais)
extremo exercício de beleza”.

O seu corpo ergue-se enxuto,
quando as rugas potenciam a duração do tempo.
Elas são a fonte essencial da vida
a reforçar a dádiva que recebeu de Deus
para manter o fogo aceso ― o fogo
da comunhão da casa. Se alguém te perguntar
porque resistes ao tempo e a todas as maldições
que o tempo impõe,
(e que muitos atribuem ao sono eterno de Deus)
dirás, apertando a tua mão na minha mão e unindo
a tua saliva à minha, que a culpa é da comunhão
solene das nossas línguas unidas numa só língua.