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A eterna comédia

Edilde Lima de Aragão

22/05/2017 12:39

A eterna comédia


Depois de nove meses de ensaio,
Entra em cena o ator
No palco desta vida.
Chora de início, a vítima, de dor,
Defrontando a plateia
Pra si desconhecida.

O teatro onde tem de atuar
O pequenino artista,
Chama-se apenas terra.
Seu lindo nome tem mil traduções.
Mistério, enfim, é tudo
O que ele encerra.

Quase sempre o papel é de palhaço,
Pois mesmo angustiado
É obrigado a rir.
E o destino, juiz implacável,
Faz-lhe mesmo cansado
Repeti-lo a sorrir.



Deseja o pobre ator um certo dia
Demonstrar o que sente,
Viver de outra maneira.
Embora saiba a vida uma ilusão,
Pede a Deus para si
Uma vida verdadeira.

E o destino, ouvindo a sua queixa,
Deixa que o infeliz
Mostre que sabe amar!
Aí então, onde nasce o prazer,
Desgraçado e a sofrer,
Descobre o que é penar.